Friday, February 10, 2023

DUZENTOS ANOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Na edição de fevereiro de 1860 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec incluiu interessante matéria descrevendo pesquisa desenvolvida ao longo de um mês sobre um fato reportado por um correspondente da cidade de Castelnaudary, uma comunidade situada no departamento de Aude, região de Languedoc Roussilon, interior da França. Envolvia pequena casa, em que havia ruídos estranhos e diversas manifestações que levavam a considera-la como assombrada. Por isso, foi exorcizada em 1848 e nela colocaram grande número de imagens de santos. Querendo habitá-la, o proprietário mandou fazer reparos e retirar as gravuras. Depois de alguns anos, ali morreu subitamente. Seu filho, que a ocupou por algum tempo, certo dia, ao entrar num quarto, recebeu forte bofetada de mão invisível. Como estivesse absolutamente só, não duvidou que ela viesse de fonte oculta. Há na região a lenda de um grande crime ocorrido na dita casa. De posse de tais dados, Kardec interrogou o dirigente espiritual das reuniões da Sociedade Espírita de Paris e, obtendo resposta favorável, na reunião de 9 de dezembro de 1859, iniciou tal trabalho. O Espírito chamado, se manifestou por sinais de violência; percebida na extrema agitação de que foi tomado o médium, que quebrou sete ou oito lápis, lançando alguns sobre os assistentes, rasgou uma página, que cobriu de traços sem sentido, feitos com cólera. Foram impotentes os esforços para acalmá-lo; premido a responder perguntas, escreveu com a maior dificuldade um não quase indecifrável. Questionado o dirigente espiritual, informou “ser um Espírito da pior espécie, obrigado a comparecer à reunião, mas não foi possível obriga-lo a escrever, apesar de tudo que lhe foi dito, visto ter seu livre arbítrio, do qual, infeliz, faz triste uso”. Disse também “ser autor do crime referido na lenda da região; que descobririam quem foi; que os exorcismos não o afastaram da moradia; que participou da morte do Sr. D; ter sido o autor da bofetada no filho do Sr. D; não ter sido permitido que repetisse o gesto contra os membros da reunião em que estavam; que oração seria o recurso eficaz para afastá-lo da casa; mas oração feita pelos interessados e não por terceiros; que ele era suscetível de melhora como qualquer um, embora fosse necessário enfrentar dificuldades; que por mais perverso fosse, o bem em retribuição ao mal acabaria por tocá-lo”.Uma médium vidente presente a sessão viu esse Espírito no momento em que queriam que escrevesse: sacudia o braço do médium; seu aspecto era aterrador; vestindo uma camisa coberta de sangue portando um punhal. Dois outros participantes começaram desde aquela noite, a orar pelo infeliz Espírito, obtendo várias comunicações, bem como de suas vítimas. Tais manifestações somadas à outras obtidas na Sociedade Espírita de Paris, em intervalos diversos, se desenvolveram ao longo de um mês, em dez reuniões, perfazendo 126 perguntas entre as respondidas pelo tal Espírito, e os demais envolvidos na dramática história, comentadas algumas partes pelo dirigente espiritual das reuniões, outras pelo próprio Allan Kardec. Tudo começou em 6 de maio de 1608, portanto, duzentos anos antes, quando ele Charles Dupont, por suspeitar que seu irmão mais velho, Pierre, cortejasse uma mulher de quem ele gostava, o apunhalou no meio da noite, enquanto dormia, ferindo-o na garganta, depois no coração, e, embora acordando, querendo luta, não teve forças para tal. Ninguém foi acusado por sua morte, pois naquele tempo, prestava-se pouca atenção a essas coisas. A mulher, Marguerite Aeder, por sua vez, casou-se com Charles que, cinco anos depois, frustrado em seu amor, também assassinou no dia 3 de maio de 1610. Por fim, manifestou-se o Sr. D, que deu detalhes da sua morte, após avistar o Espírito de Charles ao adentrar a casa certo dia. Atendendo a recomendação do dirigente espiritual dos trabalhos, um mês depois, no dia 13 de janeiro, foi novamente evocado, revelando uma substancial mudança em suas ideias e comportamento. Terminando Kardec observa que “tal evocação não fora casual. Como devia ser útil a esse infeliz, os Espíritos que velavam por ele, vendo que começava a compreender a enormidade de seus crimes, julgaram chegado o momento de lhe prestas socorro eficaz, e então, o trouxera às circunstâncias propícias, fato, por sinal, muitas vezes repetido”. Finaliza dizendo: -“A propósito, perguntam o que teria sido dele, se não tivéssemos podido evocá-lo, como de todos os Espíritos sofredores que também, não o podem ser, e nos quais não se pensa. A resposta é que as vias de Deus são inumeráveis para a salvação das criaturas.. A evocação pode ser um meio de as assistir, mas, certo, não é o único. E Deus não deixa ninguém esquecido. Alias, as preces coletivas devem ter influências parcial sobre os Espíritos acessíveis ao arrependimento”.




Dizem que o Espiritismo não tem imagem, mas a gente sempre vê imagens de Jesus em livros, folhetos e cartazes espíritas.... (comentário de uma pessoa, quando recebeu uma mensagem espírita alusiva ao Natal.)


De fato, na prática espírita, não se utilizam rituais, imagens, roupas especiais, rezas ou cantos. Já dissemos, em várias ocasiões, que a única prática religiosa do Espiritismo é a prece – e a prece é livre, não tem fórmula; pode ser feita em qualquer circunstância, tempo ou lugar, como Jesus ensinou. No centro – lugar onde os espíritas costumam se reunir – fazemos preces, até conjuntas, mas em silêncio. As preces nunca são recitadas ou cantadas. Geralmente, é o dirigente da reunião que profere uma prece em voz alta ( de preferência, uma prece improvisada, não decorada) e os demais presentes a acompanham apenas em pensamento – ou seja, sem repetir o que está ouvindo.


Por que tomamos esse cuidado? Para que a prece não se torne mecânica, pois, quando a prece é apenas repetição ou rotina, as pessoas a recitam mecanicamente, sem prestar atenção e sem sentir o que estão dizendo. O objetivo é fazer com que todos se concentrem no sentido da oração. Não deve haver imagens ou fotografias, ou qualquer cartaz ou figura, que desviem a concentração, razão pela qual é sempre recomendável que, durante a prece, as pessoas fechem os olhos para evitar qualquer estímulo visual do ambiente. Os Espíritos sempre disseram a Kardec, valorizando a recomendação de Jesus, que o pensamento é tudo.


Entretanto, muitas vezes, na produção de cartazes ou folhetos, os grupos espíritas costumam colocar a figura de Jesus, de Kardec ou outro representante espírita. Mas isso apenas como ilustração, não como motivo de adoração. Isso se dá porque as diversas figuras de Jesus, criadas por artistas da Renascença, correram mundo, principalmente através da Igreja, e são muito conhecidas do publico em geral. De fato, elas podem servir para despertar a atenção e o sentimento dos leitores, mas apenas como lembrança, jamais como objeto de adoração. Não vemos como isso possa contradizer os princípios espíritas.















Thursday, February 2, 2023

OBSESSÃO - ÁREAS DE CONTÁGIO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Quando Allan Kardec ouviu do Espírito da Verdade na resposta à questão 459 d’ O LIVRO DOS ESPÍRITOS que a “influência dos desencarnados sobre nossos pensamentos e atos é muito maior que imaginamos e invariavelmente são eles que nos conduzem”, dava importante passo para concluir ser isso possível pela condição de médium ser inerente à condição humana, manifestando-se de forma ostensiva ou mantendo-se latente, por vezes, por uma existência inteira. Hoje, se sabe que essa percepção, conforme dito pelos Espíritos é possível graças a uma das funções da epífise, uma diminuta glândula situada internamente no centro de nossa cabeça, conhecimento, por sinal, de domínio de escolas religiosas do passado, como as da Índia, do Egito ou da África. Kardec associando a revelação às evidências observadas, apresenta n’ O LIVRO DOS MÉDIUNS, a obsessão definida por ele como a influência maior ou menor dos Espíritos desencarnados sobre nossa Dimensão, o que explica inúmeros registros até então incompreensíveis feitos ao longo da história da Humanidade. Na referida obra, encontramos uma classificação genérica sobre os tipos de obsessão, observadas em três níveis os quais abrangem uma infinidade de comportamentos individuais ou coletivos: obsessão simples, fascinação ou subjugação (chamada possessão em algumas manifestações religiosas). Embora a fascinação e a subjugação possam ser a justificativa de inúmeros atos socialmente inexplicáveis na atualidade, como suicídios, homicídios, radicalismos ideológicos - político e religiosos -, a obsessão simples é a mais comum produzindo vítimas a todo momento pela vulnerabilidade mento/emocional das pessoas, distanciadas da imunidade resultante dos pensamentos equilibrados pela ligação com propostas filosófico/religiosas mais espiritualizadas. Espiritualidade hoje é definida como um clima resultante de esforços e ações no nosso mundo interior almejando a conquista e preservação do equilíbrio. A exposição à vivência predominantemente do nosso lado sensorial no liga às influências de inteligências afins com a mesma busca. Alertam algumas obras ilustradas do Espírito André Luiz, existirem algumas áreas ou formas de contágio, não imaginados pela maioria das pessoas. Alinhamos a seguir, as principais: 1 - RUA - É repositório de vibrações antagônicas, em meio de sombrios materiais psíquicos e perigosas bactérias de variada procedência, em vista da maioria dos transeuntes lançar em circulação, não só as colônias de micróbios diversos, mas também os maus pensamentos de toda ordem”. 2 - AMBIENTES - Doméstico - “Os quadros de viciação mental, ignorância e sofrimento nos lares sem equilíbrio religioso, são muito grandes. Onde não existe organização espiritual, não há defesas de paz de espírito. Isto é intuitivo para todos os que estimem o reto pensamento”. “Os que desencarnam em condições de excessivo apego aos que deixaram na Crosta, neles encontrando as mesmas algemas, quase sempre se mantém ligados à casa, às situações domésticas e aos fluidos vitais da família. Alimentam-se com a parentela e dormem nos mesmos aposentos onde se desligaram do corpo físico”. “Os viciados nas sensações fisiológicas encontram nos elementos desintegrados pelo cozimento, o mesmo sabor que experimentavam quando em uso do envoltório carnal, já que mais de setenta porcento da alimentação comum, o encarnado capta pelos condutos respiratórios”. Casas Noturnas - “O ambiente sufocava. Desagradáveis emanações se faziam cada vez mais espessas, à medida que avançávamos. No salão principal do edifício, onde abundavam extravagantes adornos, algumas dezenas de pares dançavam, tendo as mentes absorvidas nas baixas vibrações que a atmosfera vigorosamente insuflava (...). A multidão de entidades conturbadas e viciosas que aí se movia era enorme. Os dançarinos, não bailavam sós, mas, inconscientemente, correspondiam, no ritmo açodado da musica inferior, a ridículos gestos dos companheiros irresponsáveis que lhes eram invisíveis”. 3 - Sono físico - “A determinadas horas da noite, três quartas partes da população de cada um dos hemisférios da Crosta Terrestre, se acham nas zonas de contato com o Plano Espiritual e a maior percentagem desses semi libertos do corpo, pela influência natural do sono, permanecem detidos nos círculos de baixa vibração. Neles, muitas vezes, se forjam dolorosos dramas que se desenrolam nos campos da carne. Grandes crimes tem nestes sítios as respectivas nascentes e, não fosse o trabalho ativo e constante dos Espíritos protetores que se desvelam pelos homens no labor sacrificial da caridade oculta e da educação perseverante, sob a égide do Cristo, acontecimentos mais trágicos estarreceriam as criaturas”. “Através das correntes magnéticas suscetíveis de movimentação, quando se efetua o sono dos encarnados, são mantidas obsessões inferiores, perseguições permanentes, explorações psíquicas de baixa classe, vampirismo destruidor, tentações diversas”. “Muitas vezes, a mente obsidiada arquiva ordens e avisos do obsessor durante o sono habitual, quando liberamos os próprios reflexos, sem o controle da nossa consciência de limiar, ordens e avisos que a pessoa obsessa atende, de modo quase imediato..

Quando eu era criança meus pais me ensinaram a seguir os princípios da Igreja, mas no começo era apenas fé, depois veio a dúvida e por último a descrença. Tenho várias dúvidas sobre o que a religião ensina e uma que me chamou atenção foi sobre a ressurreição da carne, porque não posso compreender que, na era científica em que estamoos, isso seja possível de conceber, embora a Bíblia fale sobre a ressurreição de Jesus.

Seu questionamento procede. Contudo, ainda não percebemos que a maioria das pessoas estejam preocupadas com isso. A religião, de um modo geral, durante séculos, ensinou a submissão a uma fé passiva e cega, arvorando-se como intermediária entre Deus e os homens, e condenando quem se dispusesse a desvendar a vida além da morte, terreno sagrado e proibido.

Criando essa barreira inviolável, ela veio ditando suas verdades, condicionando seus seguidores às práticas litúrgicas, que falam apenas à imaginação e à emoção, dispensando o bom senso e a razão, para que não tivessem tempo de questionar o que realmente acontece ao homem, depois desta vida.

Pelo que sabemos a crença na ressurreição dos mortos, embora já fosse cogitada por outros povos, não existia ao tempo de Moisés e dos profetas, nas primeiras fases da religião hebraica. Ao que tudo indica, o povo hebreu herdou esse conceito da religião persa.

Os hebreus, povo ao qual pertencia Jesus, ficou muito tempo sob o domínio político dos persas, que embora não tenha o pior período para o povo dominado, deixou para ele dominado algumas heranças culturais.



Logo, a “ressurreição dos mortos” procede da religião persa. Alguns séculos antes de Cristo o Zoroastrismo, primeira religião revelada, já concebia a existência de duas forças antagônicas no universo: representadas pelo deus do bem e pelo deus do mal em constante conflito.

Esta religião ensinava que, ao final dos tempos (concepção de fim do mundo), os mortos seriam ressuscitados para o julgamento final.

Durante os séculos em que os hebreus estiveram sob o domínio do imperador Ciro, eles receberam a influência dessa religião e acabaram com o tempo a adotar concepções semelhantes, de onde surgiram as ideias da ressurreição dos mortos, do juízo final, de Deus e do demônio.

Para o Espiritismo era natural que o ser humano buscasse explicação para vida humana e quisesse saber o que aconteceria ao homem depois da desta vida, levando em conta os méritos e os defeitos de cada um.

Foi assim que, depois da igrejeificação do cristianismo, principalmente a partir do primeiro quarto do século IV da era cristã, tais concepções que, na época, satisfaziam a maioria, continuaram sendo objeto de crença.

Evidentemente não é o que pensa o Espiritismo, que surgiu no século XIX de nossa era, e que exigia para tais questões mais do que uma fé simples e ingênua, mas uma base de conhecimento assentada na razão.

 Allan Kardec, em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, refuta essa a crença na ressurreição do corpo, porque ela contraria frontalmente os mais elementares princípios da ciência e, portanto, não tem sustentação racional.

Para a doutrina espírita, a ressurreição, inclusive aquela a que Paulo de Tarso de refere em suas cartas, é ao ressurgimento do ser humano em espírito e não no corpo que a natureza decompôs.

A doutrina explica também que o “corpo espiritual”, a que Paulo de refere na primeira carta aos coríntios, é o que Allan Kardec chamou de “perispírito”, que é o corpo em que o homem ressurge no mundo espiritual após a morte, e o mesmo com que Jesus se apresentou às pessoas depois de sua execução na cruz. 


Tuesday, January 24, 2023

O ESPÍRITO GASTRONOMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 -“Gosto da boa mesa e das mulheres; viva o melão e a lagosta, o café e o licor!” ditou numa reunião espírita particular um Espírito, sob o nome de Baltazar, por meio de batidas. Entendendo que “tais disposições de um habitante do outro mundo poderia dar lugar a um estudo sério, do qual poder-se-ia tirar um ensinamento instrutivo sobre as faculdades e sensações do Espíritos”, Allan Kardec resolveu evocá-lo na reunião da Sociedade Espírita de Paris, na reunião de 19 de outubro de 1860, conforme explica em matéria inserida no número da REVISTA ESPÍRITA, de novembro daquele ano. Buscava ainda obter mais informações sobre a fisiologia do corpo espiritual ou períspirito. Nas catorze perguntas a ele dirigidas, Baltazar ofereceu vários elementos para nossas reflexões. Um deles que estava “desencarnado há 30 anos, tendo morrido aos 80 de idade, tendo sido advogado, neto e filho de gastrônomos – seus pais eram financistas que na antiga monarquia contratavam a cobrança de impostos -, e, lamentando estar diante de uma grande mesa vazia de alimentos, indagado como se serviria se estivesse carregada, respondeu que “sentiria seu aroma, como outrora lhes saboreava o gosto”. Comentando a colocação, Kardec diz: -“Sabemos que os Espíritos tem nossas sensações e percebem os odores tão bem quanto os sons. Não podendo comer, um Espírito material e sensual se repasta da emanação dos alimentos; saboreia-os pelo olfato, como em vida o fazia pelo paladar. Há, pois, algo de material em seu prazer; mas como, na verdade, há mais desejo do que realidade, este mesmo prazer, aguilhoando os desejos, torna-se um suplício para os Espíritos inferiores, que ainda conservaram as paixões humanas”. Sobre se seu corpo fluídico possuía um estômago, disse: “-um estomago fluídico também, onde só os aromas podem passar”. Questionado se vendo comidas gostosas sentia vontade de comer, usou interessante analogia para se explicar: -“Para mim, esses alimentos são o que são as flores para vós: cheirais, mas não comeis. Isso vos contenta. Então, também me satisfaço”. Se, sentia prazer vendo os outros comerem, disse que “muito, quando estou perto”. Se, experimentava necessidade de comer e beber, esclareceu que “necessidade, não; mas desejo, sim, sempre”. Solicitado a explicar se o desejo ficava plenamente satisfeito pelo cheiro aspirado, se era a coisa se realmente comesse, contra argumentou: -“É como se eu vos perguntasse se a vista de um objeto que desejais ardentemente vos substitui a posse desse objeto”. Se o desejo que experimentava era um suplício por não haver prazer real, falou que “um suplício maior do que pensais. Mas, procuro atordoar-me, criando-me uma ilusão”. Ampliando a abordagem, Kardec lhe pergunta se dormia algumas vezes, apurando que não, ocupando-se por “rodar um pouco por toda parte, percorrendo feiras e mercados, vendo chegar a pesca, com isto se ocupando”. Se via Espíritos mais felizes que ele, disse que sim, alguns cuja felicidade consiste em louvar a Deus, o que não conhece pois seus pensamento roçam pela terra, finalizando a entrevista respondendo desconhecer as causas que os tornam mais felizes que ele, não as apreciando, como aquele que não sabe o que é um prato preferido e não o aprecia”. Ao se despedir, concluiu que talvez chegue a isso e, que iria procurar um jantarzinho muito delicioso e suculento”. Analisando a manifestação, Kardec diz que Baltazar “faz parte dessa classe numerosa de seres invisíveis que não se elevaram em nada acima da condição da Humanidade. Só tem de menos o corpo material, mas suas ideias são exatamente as mesmas. Não é um mau Espírito, não tem contra si senão a sensualidade, que, ao mesmo tempo, é para ele um suplício e um prazer; como Espírito, não é muito infeliz; é até feliz ao seu modo. Mas, Deus sabe o que o espera em nova existência! Uma triste volta, poderá fazê-lo bem refletir e desenvolver o senso moral, ainda abafado pela preponderância dos sentidos”. Um século depois, o Espírito André Luiz, através de Chico Xavier, discorrendo sobre a alimentação escreveu que “desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético”...



Uma pessoa pode ter uma vida longa apenas porque ela quer assim. No caso de Dercy Gonçalves, que chegou aos 101 anos, ela sempre foi de opinião de que não deveria se entregar, e assim foi sempre determinada, corajosa, capaz de enfrentar problemas. Isso, com certeza, a ajudou muito, não é?


Sem dúvida. Há pessoas que demonstram extraordinária disposição para viver e isso certamente vai ajudá-las a viver mais e, mais importante que isso, a viver melhor. A vontade, a determinação, a coragem são fatores que favorecem uma vida longa, mas isso não quer dizer que vamos viver quanto tempo queremos, mesmo porque existem outros fatores ou circunstâncias da vida que podem nos surpreender. Contudo, sem dúvida alguma, quem encara a vida com fé, disposição, coragem e alegria têm mais probabilidade de viver mais tempo.


Pessoas amargas, que estão sempre reclamando da vida, que vivem se queixando de tudo e de todos, não andam - elas arrastam-se. Elas podem até viver muitos anos na Terra, mas a sua vida será de péssima qualidade (uma tortura, um martírio constante!...) , pois, além de se desvalorizarem diante de si mesmas, acabam contagiando e causando mal estar aos outros com suas lamúrias e reclamações. Não sabem o que estão perdendo. Ao contrário, aqueles que acreditam na vida, que acreditam em Deus e em si mesmos, não têm tempo para se queixar e, enquanto outros se param para se lamentar, eles vão em frente em busca de suas metas, o que lhes reforça o ânimo e os torna cada vez mais alegres e comunicativos.


Na verdade, como dizia o escritor Humberto de Campos, que só viveu 45 anos, a vida não se mede pela sua extensão, mas pela profundidade com que é vivida. Há pessoas que podem viver 90 anos, mas que na realidade não viveram 20; outros, que morrem aos 40, viveram 400. Basta olhar para a História. Grande parte dos homens, que nos deixaram expressivas lições de vida e grande contribuição para a humanidade, viveram pouco, mas suas vidas foram tão profundas e movimentadas, tanto contribuíram para o bem de todos, que parece que eles viveram séculos. Jesus Cristo foi um deles.