Tuesday, August 2, 2022

SERÁ POSSÍVEL- ALLAN KARDEC DIZ QUE SIM; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

Pode uma pessoa encarnar mais mal numa existência que em sua ação precedente? Em artigo com que abre a edição de junho de 1863 da REVISTA ESPÍRITA, Allan Kardec afirma que sim. Parte do princípio da não retrogradação do Espírito, explicando o retrocesso se dá no sentido de nada perderem do progresso, podendo ficar momentaneamente estacionários. Esclarece, entretanto, “que de bons não podem tornar-se maus, nem sábios, ignorantes. Tal é o princípio geral, que só se aplica ao estado moral e não à situação material, que de boa pode tornar-se má, se o Espírito a tiver merecido . Façamos uma comparação. Estamos contratados um homem do mundo, instruídos, mas entregamos um crime que o conduz à prisão.Claro há para ele uma grande descida como posição social e como bem estar material. À estimativa e à consideração sucederam o desprezo e a abjeção. Entretanto ele nada perdeu quanto ao desenvolvimento da inteligência; à prisão as suas faculdades, seus talentos, seu conhecimento. É um homem e é assim que devem ser ligados aos Espíritos decaídos. Deus pode, pois, ao cabo de tempo de prova, retirar de um mundo onde não terá onde não progredirá aqueles ou estranhos , seres que se rebelam, se rebelam contra as suas leis, mandando que expiem erros e seu suporte num mundo inferior , entre ainda adiantados.Aí será o que eram antes, moral e intelectualmente, mas numa condição naturalmente mais penosa, pela própria do Globo e, sobretudo, pelo meio no qual se acharem. Numa palavra, um homem civil forçado na vida entre os selvagens ou homem, condenado à sociedade dos forçadas de posição total (como nos regimes totalitaristas). Perderam a posição e as vantagens, mas não regrediram ao estado primitivo. De adultos não se tornaram crianças. Eis o que se deve entender pela não-retrogradação. Não tendo aproveitado o tempo, é para eles um trabalho a recomeçar. Em sua bondade, Deus não os quer deixar por mais tempo paz entre os bons, cuja perturbam. Por isso os envia entre homens que têm como missão fazer estes últimos progredirem, ensinando-lhes o que sabem. Por esse trabalho pode ser por conta própria, adiantar-se e eles podem se proteger, expiando como faltas passadas, como o escravo que pouco a pouco para um dia comprar a liberdade. Mas como o escravo, muitos só economizam dinheiro, em vez de amontoar virtudes, as únicas que podem pagar o resgate. Esta tem sido, até agora, a situação de nossa Terra, mundo de expiação e prova, onde a raça adâmica, raça inteligente, foi exilada entre as raças primitivas inferiores, que a habitava antes. Tal a razão pela qual há tantas amarguras aqui, e que estão de sentir no mesmo grau os povos selvagens. Há, certamente, retrogradação do Espírito no sentido de que recua seu caminho, mas não do ponto de vista de suas aquisições, em razão das quais e do desenvolvimento de sua inteligência, sua derrota social lhe é penosa. É assim que o homem do mundo sofre mais num meio abjeto daquele que sempre viveu na lama”. Mais à frente, indagação:-“Nero pode, como Nero, ter feito mais mal que na sua precedente encarnação? A isto respondemos sim, o que não implica que na existência em que tivesse feito menos mal fosse melhor. Para começar, o mal pode mudar a forma sem ser pior ou menos mal. A posição de Nero, o tendo posto em prova, o que ele ficou mais notado; numa existência podíamos ter atos tão repreensíveis, posto que em menor escala e que obscura percebibidos. Como Soberano pode incendiar uma cidade; como pessoa comum pode queimar uma casa e fazer perecer a família. Tal um assassino, que apenas na posição de alguns viajantes, está fazendo uma grande escala ou um assalto que permite um escalada para um tirano. Considerando a questão de outro ponto de vista, diremos que um homem pode fazer mais mal numa existência que na precedente, mostrando vícios que não tinha, sem que isso implique uma degeneração moral. vezes são as circunstâncias que faltam para fazer o mal, quando o muitas vezes existe latente; vem a ocasião e os maus instintos se revelados. A vida comum oferece vários exemplos: certo homem que não se arrependeu, revela vícios que suspeitava, e que ninguém causam confusão. É porque sabia que uma causa diferente causou o desenvolvimento da má sensibilidade”. que era tido como bom, de repente revela vícios e que ninguém suspeitava, que causam confusão. É porque sabia que uma causa diferente causou o desenvolvimento da má sensibilidade”. que era tido como bom, de repente revela vícios e que ninguém suspeitava, que causam confusão. É porque sabia que uma causa diferente causou o desenvolvimento da má sensibilidade”.



Cristiano, de Vera Cruz, trouxe-nos outra questão. Diz ele: “Solicito esclarecimentos sobre a resposta à questão 345 do livro O CONSOLADOR pelo Espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier. Como entender a legítima defesa nessa resposta?”

Numa edição anterior, respondemos uma pergunta do Cristiano sobre como o Espiritismo vê a legítima defesa no caso de homicídio, ou seja, quando uma pessoa mata outra apenas para ser morta por ela. A questão, agora, de que Emmanuel se ocupa nessa obra, questão 345, trata da afirmação de Jesus, “se alguém te bater numa face, apresenta-lhe a outra”, ou seja, como o cristão deve reagir num caso de agressão ou ofensa.

Allan Kardec, n’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, capítulo XII, “Amai os Vossos Inimigos”, trata muito bem deste assunto, precisamente no item “Se alguém vos bate na face direita, oferece-lhe também a outra”. Achamos brilhante o argumento de Kardec e, por isso, vamos reproduzi-lo em parte. Gostaríamos que vocês atentassem bem para a argumentação de Allan Kardec:

“Os preconceitos do mundo sobre o que se convencionou chamar “ponto de honra”, dão essa sensibilidade sombria, nascida do orgulho e da exaltação da personalidade, que leva o homem a retribuir injúria por injúria, insulto por insulto, o que parece justiça para aquele cujo senso moral não se eleva acima das paixões terrestres; por isso, a lei mosaica dizia “olho por olho, dente por dente”, lei que estava em harmonia com o tempo em que Moisés vivia. “

“Jesus veio e disse: “retribui o mal com o bem”. E disse mais “não resistais ao mal que se vos queiram fazer; se alguém vos bater numa face, apresentai-lhe também a outra”. Ao orgulhoso esta máxima parece uma covardia, porque ele não compreende que haja mais coragem em suportar um insulto do que em se vingar, e isso sempre por essa causa que faz com que a sua visão não se transporte além do presente.”

“Entretanto – continua Kardec – é preciso tomar essa máxima ao pé da letra? Não mais do que aquela que diz para arrancar o olho se ele for motivo de escândalo. Acentuada em todas as suas consequências, seria condenar toda repressão, mesmo legal, e deixar o campo livre aos maus, dissipando-lhes todo o medo. Se não se opusesse um freio às suas agressões, logo todos os bons seriam suas vítimas. O próprio instinto de conservação, que é uma lei natural, diz que não é preciso estender benevolentemente o pescoço ao assassino.”

“Por essas palavras, portanto, Jesus não interditou a defesa, mas condenou a vingança. Dizendo para apresentar uma face, quando a outra for agredida, é dizer sob outra forma que não é preciso retribuir o mal com o mal, que o homem deve aceitar com humildade tudo o que tende a rebaixar seu orgulho, que é mais glorioso para si ser ferido do que ferir, suportar pacientemente uma injustiça do que ele próprio cometer uma, que vale mais ser enganado do que enganador, ser arruinado do que arruinar os outros”.

Na verdade, Cristiano, ante a colocação de Allan Kardec, fica muito clara a posição espírita diante da assertiva de Jesus quanto à situações que chamamos de legítima defesa, até porque o primeiro compromisso que cada um de nós assume, quando reencarna neste mundo, é consigo mesmo. Todavia, o problema está em sabermos discernir até onde devem ir nossas reações diante da ofensa ou da agressão, para não extrapolarmos o bom senso e usarmos de maldade e vingança a pretexto de estarmos defendendo nossos direitos.




Wednesday, June 29, 2022

FATALIDADE - O QUE DIZ O ESPIRITISMO ; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Estarão os acontecimentos mais marcantes de nossa vida realmente marcados para acontecer? Quase um ano após o lançamento de O LIVRO DOS ESPÍRITOS , no número de março de 1858 da REVISTA ESPÍRITA , Allan Kardec inclui uma matéria A FATALIDADE E OS PRESENTIMENTOS , nascido da dúvida causado por um correspondente sobre experiência pessoal na qual escapara de morrer mais de uma vez testemunhando, entretanto, que acontecerá trágico para quatro pessoas – entre os religiosos –, que com elevam, enquanto e outros sobrevivem. Revelando ter escapado ou sete vezes da morte de Luiz algumas questões, um dos orientadores do trabalho da Codificação Espírita:1- Quando um perigo ameaça alguém, é um Espírito que dirige o perigo, e quando dele escapa, é outro Espírito que o afasta? – Quando um Espírito se encarna, escolhe uma prova; elegendo-a, estabelecendo-se uma espécie de destino que não pode mais conjurar, uma vez que a ele está adequado; falo das fisicas. Conservando seu livre-arbítrio sobre o bem e o mal Espírito é sempre senhor de receber o ou de repelir a prova; Vendo-o fraquejar, um Espírito bom vir em seu auxílio, mas não pode influenciar sua vontade de dominar. Um Espírito mau, isto é, inferior, oferece-lhe ou exagerando um perigo físico, pode abalá-lo e apavorá-lo, mas nem por isso a vontade do Espírito encarnado fica menos livre de qualquer entrada. 2. Quando um homem está na iminência de perecer por acidente, parece-me que o livre-arbítrio nada vale. pois, se é um Espírito mau que provoca esse acidente; se, de alguma sorte, é o seu agente; e, caso se livre do perigo, se um Espírito bom veio em seu auxílio? – Os Espíritos bons e maus não podem sugerir ideias bons ou maus, conforme sua natureza. O acidente está assinalado no destino do homem. Quando sua vida é colocada em perigo mesmo, é uma forma que você deseja mesmo assim, a fim de desviar do mal e tornar-se melhor. Quando escapas a esse perigo, ainda sob a influência do perigo que correste, pensas mais ou menos vivamente, segundo a ação mais ou menos forte dos Espíritos bons, em te tornares melhor. Sobrevindo o espírito mau – subentendendo o mal nele ainda persiste – pensa que igualmenteás a outros, e deixas perigos que procuram, se digo de novo. 3. A fatalidade que parece presidir aos destinos materiais de nossa vida também é resultante do nosso livre-arbítrio? – Tu mesmo escolheste a tua prova. Quanto mais rude ela for e melhor a oferecer. (...). 4. Compreendemos a causa dessa doutrina, mas isso não explica se os Espíritos exercem uma ação direta? – Quando um homem passa sobre uma ponte que deve cair, não é um Espírito que o leva a passar ali, é o instinto de seu destino que o conduz a ela. 5. Quem fez a ponte desmoronar?– Como as circunstâncias naturais. A matéria tem em si as causas da destruição. Não há necessidade de recorrer a um elemento estranho à natureza para movimentar força, caso sua necessidade de direcionamento à espiritual materiais. (...) O Espírito, digamos, insinuará ao homem que passa por essa ponte, em vez de passar por outro local. Tende, aliás, uma ocorrência material, digo sempre: seja sempre qual seja, por que isto é, por se ligar às outras causas o que pode causar insensivelmente.


O Cristiano Ricardo Alves, de Vera Cruz, mandou-nos um ‘e-mail’, pedindo um comentário sobre os itens 19, 20 e 21 do capítulo 10 d’O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO. Esses três itens respondem à seguinte pergunta: “È permitido repreender os outros?” A questão colocada pelo Cristiano é interessante e muito importante. Quem atende Kardec é o Espírito São Luiz. Os que tiverem curiosidade, devem ler, reler e refletir sobre as respostas ali apresentadas.


A palavra “repreender” tem duas conotações: a de censurar ou reprovar, e a de advertir ou alertar. Foi o que Jesus fez não só com seus discípulos, mas também e principalmente com os fariseus – censurar e advertir. O problema da censura e da advertência não está no ato em si, mas nas intenções que existem atrás do ato, ou seja, no motivo que leva a pessoa a praticá-lo. Por exemplo: os pais em relação aos filhos. Seria possível educar uma criança sem censurá-la ou sem adverti-la? E o que leva uma mãe ou um pai a censurar e advertir seus filhos, senão o amor que têm por eles, o cuidado que têm em relação à sua segurança e bem-estar?


Jesus valorizou a intenção mais do que o ato em si – prestem atenção nisso! Uma pessoa pode cometer um erro, sem intenção de errar; é diferente daquela que pratica o mal movido pelo desejo de prejudicar. É claro que a primeira, embora errando, não pode ter o mesmo grau de culpa que a segunda. No direito, o crime sem intenção é culpa; o crime premeditado é dolo. Há uma diferença fundamental entre eles: e embora os dois devam ser censurados pelos erros que cometeram, o primeiro só pode ser advertido quanto à sua ignorância ou sua negligência.


São Luiz responde a Kardec que a regra de nossa conduta deve a ser a caridade; caridade, no sentido de indulgência – ou seja, de compreensão em relação à limitação dos outros. Desse modo, quando uma pessoa comete um erro somente contra si mesma; se ela não estiver prejudicando ninguém, esse erro jamais deve ser divulgado. No entanto, sabendo disso, temos o dever de assisti-la, de ajudá-la para que não se prejudique. Mas nunca devemos sair por aí divulgando seu problema, criticando-a abertamente e falando aos outros sobre sua vida – seria falta de caridade, falta de indulgência.


Mas, se a conduta de alguém pode prejudicar outras pessoas, então é nosso dever moral proteger suas vítimas; se preciso, denunciando essa pessoa. Essa situação se enquadra perfeitamente no princípio do amor ao próximo, pois, segundo São Luiz, é preferível que um seja prejudicado do que muitos serem prejudicados por ele. Jesus foi um exemplo desse tipo de comportamento. Embora proclamasse bem alto que devemos nos respeitar e nos amar uns aos outros, ele não deixou de tornar público o mal que os fariseus praticavam contra o povo.

Wednesday, June 22, 2022

SUTILEZAS DA OBSESSÃO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Formado Medicina em 1929, Inácio Ferreira poucos anos depois assumiu a Direção Clínica do recém-fundado Sanatório Espírita de Uberaba, na importante cidade do Triângulo Mineiro. Materialização de projeto elaborado no Plano Espiritual, a casa de saúde não teve idealismoa Maria Modesto das mais colaboradoras da década, que por sinal seria importante nas pesquisas em torno da obsessão desenvolvida ao longo de anos, chegando a uma época, em meados da década de 40 na publicação dos dois volumes do livro NOVOS RUMOS A MEDICINA (Feesp), que, ao lado de A LOUCURA SOB NOVO PRISMA (bem médico) do Mensageiro de Menezes Médicos também para problemas de problemas.A Inácio, embora a obra inicial do forte tenha sido identificada Dr. no meio e resistência, até a década não foi apenas de 80, como razão não teve a obra sequência programada nos volumes 3 e 4. Dos curiosos reunidos na obra , destacamos alguns para verificar como sutilezas dos processos obsessivos. Caso 1- EFEITO - Homem, 25 anos, estado de falta de apetite, nem sono, lugar profundo, profundo e memória perfeita; organismo desidratado; exames laboratoriais e chapas radiográficas negativas. CAUSA - obsessivo involuntariamente alimentado por entidade nadada por tuberculose pulmonar de origem intencional. Ele, recorreu mesmo, por expediente, drástico para interromper vida, abrindo dos recursos de sua influência espiritual após ter se selecionado sua vez e reencontrado ignorante num som natural. A explicação explica a intoxicação psíquica ou a periespiritual- pelodo cujo em preservado pelos sentimentos de mágoa e de esperança. Caso 2- EFEITO- Mulher, 40 anos de casada; 9 filhos, 10 netos. Doe, por vários meses, para mudar-se ideiada, por vários meses, para mudar-se por ideiada, por vários meses, por vários meses, para um tratamento por ideia e por ciúmes, por vários meses. diante de veículos. CAUSA- Processo obsessivo de mantido pela entidade feminina ao ser desdenhanha - o marido, pai e avo hoje - 43 anos antes o que a levou ao suicídio por envenenamento. Desencançando-se em grande perturbação, ignorando que havia, decidindo-se, decidindo-se, a pensar em fazer-se-o-influenciá-lo, só haveria a preocupar-se com isso. Caso 3- EFEITO Mulher, de 3 anos, trabalhando como doméstica, casada aos 2, sem filhos, freqüente de culto protestante do qual se formou religiosa por 8 meses, alegando que estava exibindo a certa desorientação. Nesta fase, começou a sair a altas horas, uma casa-se desesperada, dizendo que ouvirá voz de socorro, demonstrando sofrerá agonizante. Outras vezes diziam morrera, mas que já era pessoa a clamar sua presença. CAUSA - Ações em vida passada em que se discrimina pela sua condição de paixão obsessiva foi revelada por jovem de família importante da cidade em que vivia, abandonou-o após leva-lo a atitudes extremas contra a própria família que se opunha à relação , impondo-lhe a morte em cruéis sofrimentos após tentativa de suicídio. O pai do rapaz abalado pela morte do filho, morrendo obcecado pela ideia acabou e ea ideia de reencontrar o filho. Ela, 60 anos após o término da existência anterior renaceu novamente, passando a sofrer o assédio mental causado por um prejuízo na experiência retratada.




Eu gostaria de saber por que temos de sofrer? (Carol)


Há muitas interpretações para o sofrimento, Carol. E, dependendo da interpretação, as pessoas podem sofrer ainda mais. Neste caso, elas sofrem porque não se conformam com a explicação que lhes dão sobre o sofrimento. Por exemplo, há quem diga que “sofremos porque Deus quer”. Ora, essa afirmação causa mais sofrimento ainda em quem está sofrendo, pois contraria o principal atributo de Deus, que é a bondade. Neste caso, todo sofrimento seria um castigo – e não é verdade. Muitos sofrimentos nós criamos para nós mesmos.


Sabemos, por outro lado, que existem dois tipos de sofrimento: o físico e o moral. O sofrimento físico é a dor ou o desconforto que decorre de enfermidades do corpo,de traumas ou lesões que ele venha a sofrer, como uma dor de dente, um órgão doente ou um ferimento causado por corte ou pancada. Para conter esse tipo de sofrimento, a medicina hoje dispõe de muitos recursos, o que não acontecia no passado, quando não existiam anestésicos e as pessoas sofriam mais ainda. No entanto, pior é o sofrimento moral, aquele que emerge das profundezas da alma e que não têm propriamente uma causa física.


Ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, revolta - são dores da alma. Elas nos causam profundos e constantes sofrimentos, porque acarretam desconforto e mal-estar e que, por incrível que pareça, nós os escolhemos e nós os cultivamos no dia-a-dia, ainda que não tenhamos consciência disso. Ao contrário, Carol - o amor, a benevolência, a amizade, o espírito de solidariedade – todas as demonstrações de afeto e de carinho que partem do coração sincero – sempre nos fazem bem. Elas preenchem os vazios da nossa alma, nos proporcionam paz e alegria.


As dores físicas – a não ser quando a pessoa está acometida de uma enfermidade – não são constantes, mas as dores morais costumam estar presentes nas 24 horas do dia, mesmo quando estamos dormindo. Elas estão associadas a variadas espécies de sintomas psíquicos, como a insegurança, o medo, o sentimento de culpa, a ansiedade e a angústia. E, quando se intensificam, atingem o organismo, causando desarranjos no sistema nervoso central, principal comando do corpo. Hoje, a medicina psicossomática já é capaz de detectar inúmeras doenças de origem psíquica – não só os transtornos mentais, hoje muito comuns, como também males físicos, até mesmo as doenças infecciosas.


Sofremos, Carol, por várias razões – mesmo porque somos Espíritos em evolução, submetidos às mais diversas experiências. Mas sofremos, sobretudo, porque ainda não aprendemos a viver – mais do que isso, não aprendemos a conviver e não nos esforçamos para isso. Os conflitos de opinião, por outro lado, são naturais, porque somos individualidades, diferentes uns dos outros. Mas, quando esses conflitos adquirem a dimensão de guerra, quando se tornam brigas pessoais, em que um quer prejudicar o outro, acabando sendo a principal fonte da dor que carregamos no caminho da vida.


Se soubermos nos respeitar a nós mesmos, sem nos deixarmos envolver pelo egoísmo e pelo orgulho avassalador, não só aprenderemos a nos amar com mais profundidade, como aprenderíamos a respeitar e a amar aqueles que estão ao nosso lado, principalmente o próximo mais próximo. Jesus, vislumbrando essa meta, recomendou-nos o amor para com todos, da mesma forma que queremos que todos nos amem. Ele sabia que o amor, sem dúvida, é o estágio final da evolução, a meta suprema do bem que, quando alcançada, nos transporta para um mundo de paz, ou seja, para o que ele chamou de Reino de Deus.