Tuesday, January 24, 2023

O ESPÍRITO GASTRONOMO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 -“Gosto da boa mesa e das mulheres; viva o melão e a lagosta, o café e o licor!” ditou numa reunião espírita particular um Espírito, sob o nome de Baltazar, por meio de batidas. Entendendo que “tais disposições de um habitante do outro mundo poderia dar lugar a um estudo sério, do qual poder-se-ia tirar um ensinamento instrutivo sobre as faculdades e sensações do Espíritos”, Allan Kardec resolveu evocá-lo na reunião da Sociedade Espírita de Paris, na reunião de 19 de outubro de 1860, conforme explica em matéria inserida no número da REVISTA ESPÍRITA, de novembro daquele ano. Buscava ainda obter mais informações sobre a fisiologia do corpo espiritual ou períspirito. Nas catorze perguntas a ele dirigidas, Baltazar ofereceu vários elementos para nossas reflexões. Um deles que estava “desencarnado há 30 anos, tendo morrido aos 80 de idade, tendo sido advogado, neto e filho de gastrônomos – seus pais eram financistas que na antiga monarquia contratavam a cobrança de impostos -, e, lamentando estar diante de uma grande mesa vazia de alimentos, indagado como se serviria se estivesse carregada, respondeu que “sentiria seu aroma, como outrora lhes saboreava o gosto”. Comentando a colocação, Kardec diz: -“Sabemos que os Espíritos tem nossas sensações e percebem os odores tão bem quanto os sons. Não podendo comer, um Espírito material e sensual se repasta da emanação dos alimentos; saboreia-os pelo olfato, como em vida o fazia pelo paladar. Há, pois, algo de material em seu prazer; mas como, na verdade, há mais desejo do que realidade, este mesmo prazer, aguilhoando os desejos, torna-se um suplício para os Espíritos inferiores, que ainda conservaram as paixões humanas”. Sobre se seu corpo fluídico possuía um estômago, disse: “-um estomago fluídico também, onde só os aromas podem passar”. Questionado se vendo comidas gostosas sentia vontade de comer, usou interessante analogia para se explicar: -“Para mim, esses alimentos são o que são as flores para vós: cheirais, mas não comeis. Isso vos contenta. Então, também me satisfaço”. Se, sentia prazer vendo os outros comerem, disse que “muito, quando estou perto”. Se, experimentava necessidade de comer e beber, esclareceu que “necessidade, não; mas desejo, sim, sempre”. Solicitado a explicar se o desejo ficava plenamente satisfeito pelo cheiro aspirado, se era a coisa se realmente comesse, contra argumentou: -“É como se eu vos perguntasse se a vista de um objeto que desejais ardentemente vos substitui a posse desse objeto”. Se o desejo que experimentava era um suplício por não haver prazer real, falou que “um suplício maior do que pensais. Mas, procuro atordoar-me, criando-me uma ilusão”. Ampliando a abordagem, Kardec lhe pergunta se dormia algumas vezes, apurando que não, ocupando-se por “rodar um pouco por toda parte, percorrendo feiras e mercados, vendo chegar a pesca, com isto se ocupando”. Se via Espíritos mais felizes que ele, disse que sim, alguns cuja felicidade consiste em louvar a Deus, o que não conhece pois seus pensamento roçam pela terra, finalizando a entrevista respondendo desconhecer as causas que os tornam mais felizes que ele, não as apreciando, como aquele que não sabe o que é um prato preferido e não o aprecia”. Ao se despedir, concluiu que talvez chegue a isso e, que iria procurar um jantarzinho muito delicioso e suculento”. Analisando a manifestação, Kardec diz que Baltazar “faz parte dessa classe numerosa de seres invisíveis que não se elevaram em nada acima da condição da Humanidade. Só tem de menos o corpo material, mas suas ideias são exatamente as mesmas. Não é um mau Espírito, não tem contra si senão a sensualidade, que, ao mesmo tempo, é para ele um suplício e um prazer; como Espírito, não é muito infeliz; é até feliz ao seu modo. Mas, Deus sabe o que o espera em nova existência! Uma triste volta, poderá fazê-lo bem refletir e desenvolver o senso moral, ainda abafado pela preponderância dos sentidos”. Um século depois, o Espírito André Luiz, através de Chico Xavier, discorrendo sobre a alimentação escreveu que “desde a experiência carnal o homem se alimenta muito mais pela respiração, colhendo o alimento de volume simplesmente como recurso complementar de fornecimento plástico e energético”...



Uma pessoa pode ter uma vida longa apenas porque ela quer assim. No caso de Dercy Gonçalves, que chegou aos 101 anos, ela sempre foi de opinião de que não deveria se entregar, e assim foi sempre determinada, corajosa, capaz de enfrentar problemas. Isso, com certeza, a ajudou muito, não é?


Sem dúvida. Há pessoas que demonstram extraordinária disposição para viver e isso certamente vai ajudá-las a viver mais e, mais importante que isso, a viver melhor. A vontade, a determinação, a coragem são fatores que favorecem uma vida longa, mas isso não quer dizer que vamos viver quanto tempo queremos, mesmo porque existem outros fatores ou circunstâncias da vida que podem nos surpreender. Contudo, sem dúvida alguma, quem encara a vida com fé, disposição, coragem e alegria têm mais probabilidade de viver mais tempo.


Pessoas amargas, que estão sempre reclamando da vida, que vivem se queixando de tudo e de todos, não andam - elas arrastam-se. Elas podem até viver muitos anos na Terra, mas a sua vida será de péssima qualidade (uma tortura, um martírio constante!...) , pois, além de se desvalorizarem diante de si mesmas, acabam contagiando e causando mal estar aos outros com suas lamúrias e reclamações. Não sabem o que estão perdendo. Ao contrário, aqueles que acreditam na vida, que acreditam em Deus e em si mesmos, não têm tempo para se queixar e, enquanto outros se param para se lamentar, eles vão em frente em busca de suas metas, o que lhes reforça o ânimo e os torna cada vez mais alegres e comunicativos.


Na verdade, como dizia o escritor Humberto de Campos, que só viveu 45 anos, a vida não se mede pela sua extensão, mas pela profundidade com que é vivida. Há pessoas que podem viver 90 anos, mas que na realidade não viveram 20; outros, que morrem aos 40, viveram 400. Basta olhar para a História. Grande parte dos homens, que nos deixaram expressivas lições de vida e grande contribuição para a humanidade, viveram pouco, mas suas vidas foram tão profundas e movimentadas, tanto contribuíram para o bem de todos, que parece que eles viveram séculos. Jesus Cristo foi um deles.


Wednesday, August 31, 2022

CRITERIOS; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Abrindo a pauta da REVISTA ESPÍRITA de novembro de 1859, Allan Kardec apresenta interessante matéria intitulada “ DEVEMOS PUBLICAR TUDO QUANTO OS ESPÍRITOS DIZEM? ” que se mostra atualíssima, especialmente diante da profusão de títulos que disputam o lugar nos expositores das livrarias ou catálogos de editoras e distribuidores, demonstrando acirrada disputa por qual apresenta “ revelações ” ou “novidades ” mais originais. Como livros espíritas se tornaram meio de vida, dou bom senso, inexistem. O alvo é um público ávido por conteúdos que chegam a ser estapafurdios. As ponderações de Kardec sugerem. Diz ele: “-Esta pergunta nos foi dirigida por um dos nossos correspondentes. Respondemo-la da maneira seguinte: Seria bom publicar tudo quanto dizem e pensam os homens? que possuía uma noção do Espiritismo, por superficial que é visível, sabe que o mundo invisível é composto de todos aqueles que o querem na Terra o envoltório. Despojando-se, porém, do homem carnal, nem todos se revestiram, por isso mesmo, da túnica dos anjos. todos os graus de conhecimento e de ignorância de moralidade, de moralidade que não devemos perder de vista. Não esqueçamos que entre os Espíritos, assim como na Terra, há seres levianos, desatentos e brincalhões; falsos sábios, de um vão es es, saber incompleto;hipócritas, malévolos e, o que nos parece inexplicável, se algum modo não compreendessemos a fisiologia desse mundo, há vilões sensuais e crapulosos que se arrastam na lama. Ao lado disto, sempre como, seres temos bons, humanos, benevolentes, esclarecidos, de sublimes virtudes. Como, entretanto, nosso mundo é o primeiro nem na última posição, embora seja mais próximo da última que da primeira, seja o que o mundo dos espíritos abrange seres mais avançados e moralmente que nossos mais não esclarecidos, e outros que ainda estão disponíveis dos homens mais inferiores.Desde que esses seres têm um meio patente de comunicar-se com os homens, de exprimir seus pensamentos por sinais inteligíveis, suas comunicações devem ser um reflexo de seus sentimentos, de suas qualidades ou de seus vícios. Serão levianas, triviais, grosseiras, mesmo obscenas, sábias, científicas sublimes, conforme seu caráter e sua ação. Revela-se por sua própria linguagem. Daí a necessidade de não aceitar cegamente tudo quanto vem do mundo oculto, e submetê-lo ao controle severo . Com as comunicações de certos Espíritos, do mesmo modo que com os discursos de certos homens, poder-se-ia fazer uma coletânea muito pouco edificante(...).Ao lado de nossas comunicações francamente mais, e que chocam um pouco ou pouco delicado, outras são simplesmente triviais ou ridículas (...). O mal é dar como recompensas, coisas que chocam o bom senso, a razão e como dependentes. Nesse caso, o perigo é maior do que se pensa. Para começar, tais publicações têm o inconveniente de induzir em erro as pessoas que não estão em condições de exame-las e discernir entre o verdadeiro problema e o falso, principalmente numa questão tão nova como o Espiritismo. Em lugar, armas são os iguais e aos segundos oportunidades que não perdem oportunidade para este fato contra a alta moral; porque, diga-se mais uma vez, o mal está em coisas apresentadas que são notórios absurdos (...).As pessoas que estudam a fundo a ciência espírita sabem qual atitude que convêm a este respeito. Sabem que os Espíritos Zombeteiros não tem o menor escrúpulo de enfeitar-se com nomes respeitáveis. Mas sabem que os espíritos só abusam também que gostam de se ativar, que não ou não sabem esclarecidas suas astúcias meios já conhecidos (...). Os Espíritos vão aonde acham simpatia e onde sabem que são ouvidos (...). Publicar sem exame, ou sem correção, tudo quanto vem dessa fonte, seria, em nossa opinião, dar prova de pouco discernimento ”.


Tatiane Duarte Vieira nos trouxe o seguinte questionamento: “Como se explica que crianças, nascidas em famílias estruturadas e com boas condições financeiras, percam-se no mundo das drogas e até na delinquência, enquanto outras, que vieram de um berço pobre e passaram necessidade, acabam se realizando como pessoas de bem?”

Um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas mostra que jovens da classe A são os maiores consumidores de drogas do país. A questão das drogas, portanto, merece um tratamento especial, quando se trata do comportamento dos jovens. Os que mais consumem drogas são os que vêm de família de maior poder aquisitivo, justamente porque droga custa dinheiro e os pobres sempre terão mais dificuldade em obtê-las.

Por outro lado, os mais pobres, embora se tornem dependentes, muitas vezes, quando não se envolvem em crimes de furto e de roubo, até mesmo dentro da própria família, para obter dinheiro, acabam sendo arrastados para a prática ilegal do tráfico, como forma de manter o seu vício, caindo invariavelmente no mundo da delinquência.

É claro que a participação da família é fundamental na educação das crianças e adolescentes. Mas a família está encontrando cada vez mais dificuldade em educar os filhos, devido às grandes mudanças por que vem passando a sociedade. Ela vem perdendo terreno para as influências perniciosas da sociedade consumista e materialista, que valoriza liberdade e o prazer fácil em prejuízo da responsabilidade e do cultivo de um ideal de vida.

Os problemas de delinquência advêm, primeiramente, das tendências do Espírito da criança e, em segundo lugar, da atuação da família e da sociedade. A principal missão dos pais é educar os filhos, direcionando suas tendências para que aprendem a cultivar bons valores morais e sejam pessoas responsáveis. Neste particular, o que mais interessa nos pais é ter um ideal de vida, que deve ficar muito claro no seu comportamento do dia a dia.

A família está se esquecendo de Deus. Neste particular, a religião deveria se preocupar mais com a conduta da família e menos com as práticas de adoração, incluindo Deus na vida diária. A única autoridade capaz de se impor de verdade é a autoridade moral, de modo que os pais devem se esforçar para ter o comportamento que eles querem dos filhos. Caso contrário, terão muita dificuldade de atingir seu intento. É claro que, entre os filhos, sempre há Espíritos mais adiantados, mas haverá também os que vieram para se corrigir, mediante a ação educativa do lar.

E esses Espíritos mais resistentes e mais rebeldes podem se encontrar tanto numa família pobre e sem recursos como numa família aparentemente bem estruturada de classe média ou alta. Em muitos casos, a carência de recursos, a pobreza e a miséria podem impulsionar o Espírito à delinquência e, em outros, o que pode estimulá-los a seguir o mau caminho é a vida fácil e farta, com excessos de proteção e falta de uma educação mais rígida. Isso depende de cada caso e de cada família.


Sunday, August 21, 2022

CHOCANTE, MAS LÓGICO; EM BUSCA DA VERDADE COM O PROFESSOR

 Considerando o perfil dos Espíritos ligados ao Planeta Terra no seu processo evolutivo apresentado no capítulo 3 d 'O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, entende-se parte da realidade observada. Aumentando a isso o fato de que numa existência hipotética de 60 anos, apenas v20 são aproveitados, visto que 20 dispensa-se no sono físico, e outros 20 no processo de ascensão à vida adulta, deduz-se é moroso o progresso da Individualidade . A análise de Allan Kardec reproduzida na REVISTA ESPÍRITA de janeiro de 1864 a um leitor dá uma dimensão do problema: -“ Ignoramos absolutamente em que condições se darão como primeiras encarnações da alma; é um desses princípios das coisas que estão nos segredos de Deus. Apenas sabemos que são todos criados e ignorantes, assim, o mesmo ponto de partida, o que é conforme à justiça; o que saber ainda é que o livre-arbítrio só se pouco e depois evoluções na vida corpórea. Não é, pois, nem após a primeira, nem depois da segunda encarnação que a alma tem consciência clara de si mesma, para ser responsável por seus atos; não é senão após uma centésima, talvez após uma milésima. Dá-se o mesmo com a criança, que não goza da plenitude de suas duas faculdades, nem um, nem dias após o nascimento, mas depois de anos. E, ainda, quando a alma goza do livre-arbítrio, a responsabilidade cresce em razão do desenvolvimento de sua inteligência;é assim, por exemplo, que um selvagem que vem os seus semelhantes é menos castigado que o homem civilizado, que comete uma injustiça simples. Sem dúvida, os nossos animais estão muito atrasados ​​em relação a nós e, no entanto, já se acham bem longe do seu ponto de partida. Durante longos períodos, a alma encarnada é feita à influência exclusiva dos instintos de conservação; pouco a pouco esses instintos se transformam em instintos inteligentes ou, melhor dizendo, se equilibram com uma inteligência; mais tarde, e sempre gradualmente, a inteligência domina os instintos. Só então é que começa a responsabilidade. (...) Severidade ou fatalidade, toda responsabilidade seria injusta. Como dissemos,o Espírito fica num estado inconsciente durante encarnações; a luz da inteligência não se faz senão apenas aos poucos e a responsabilidade real começa quando o Espírito age e com conhecimento de causa só faz. (...) A Terra já foi, mas não é mais, um mundo primitivo; os mais atrasados ​​são humanos em sua superfície já se despojaram dos primeiros primeiros da encarnação e os nossos encontrados são antes de seu progresso, comparando ao que seu progresso viu encarnar neste Globo. transporte todos os degraus que separam da mais adiantada civilização; todos esses passos intermediários se acham na Terra sem solução e podem seguir-los observar as nuances que diferenciam os povos; só o começo e o fim aí não se encontram;para nós o começo se perde nas profundezas do passado, que não nos é dado penetrar. Aliás, isto é pouco importante, pois tal conhecimento em nada nas adiantaria. Não somos perfeitos, eis o que é positivo; sabemos que nossas imperfeições são o único obstáculo à nossa felicidade futura; portanto, estude-nos-nos, a fim de nos-mos-percebermos. No ponto a inteligência está bastante desenvolvido para já pensar o homem, que é sensível também que a sua responsabilidade está mais empenhada em que a sua responsabilidade está mais empenhada em dizer o que disse que Jesus: Senhor, porque não sabem o que fazem.” Não somos perfeitos, eis o que é positivo;sabemos que nossas imperfeições são o único obstáculo à nossa felicidade futura; portanto, estude-nos-nos, a fim de nos-mos-percebermos. No ponto a inteligência está bastante desenvolvido para já pensar o homem, que é sensível também que a sua responsabilidade está mais empenhada em que a sua responsabilidade está mais empenhada em dizer o que disse que Jesus: Senhor, porque não sabem o que fazem.” Não somos perfeitos, eis o que é positivo; sabemos que nossas imperfeições são o único obstáculo à nossa felicidade futura; portanto, estude-nos-nos, a fim de nos-mos-percebermos.No ponto a inteligência está bastante desenvolvido para já pensar o homem, que é sensível também que a sua responsabilidade está mais empenhada em que a sua responsabilidade está mais empenhada em dizer o que disse que Jesus: Senhor, porque não sabem o que fazem.”


Se Deus não criou o homem da maneira como a Bíblia conta, como é que Deus criou o homem, segundo o Espiritismo? Em nosso estágio de conhecimento, ainda não sabemos. Podemos, no entanto, presumir, por comparação, como isso ocorreu. Moisés, há mais de 3 mil anos atrás, precisou explicar para o seu povo como ocorreu a criação, pois, essa preocupação já existia naquela época. Como não podia saber nada de evolução, pois naquele tempo não havia ciência, ele imaginou que o Ser humano fora criado pronto e acabado. Por isso, Moisés descreveu a criação de Adão - e, depois, a de Eva - baseando-se no trabalho do oleiro. O oleiro é aquele artesão que trabalha com barro, podendo a partir da matéria prima fabricar tijolos, telhas ou vasilhas, dando aos objetos a forma e a utilidade que deseja. A criatividade do oleiro serviu de inspiração para Moisés, que comparou Deus ao oleiro e o ato da criação do homem à ação que o oleiro exerce sobre o barro. Era assim que o homem antigo entendia a criação. Como hoje sabemos que a natureza obedece à lei da evolução, sabemos também que nenhum ser vivo foi criado como ele é atualmente. A vida na Terra é produto de bilhões de anos de transformação e aperfeiçoamento, de modo que não há um Ser vivo sequer que esteja completamente pronto, completamente acabado - nem mesmo o Ser humano. A Biologia - ciência que estuda a vida – nos dá conta de que os primeiros seres vivos, que surgiram na Terra, eram extremamente simples, seres microscópicos constituídos de uma única célula, como as amebas, por exemplo. Portanto, podemos imaginar que o Ser humano - formado por dezenas de trilhões de células - teve também origem numa única célula. Para termos uma ideia mais precisa sobre esse processo da evolução, podemos nos basear no que acontece com a vida pré-natal do organismo humano. Inicialmente, o espermatozóide do pai fecunda o óvulo da mãe, surgindo, então, a célula-ovo. É a célula inicial que vai se multiplicar rapidamente, formando ao longo do tempo um corpo que, de embrião se torna feto e, depois nasce como um bebê. André Luiz compara esse processo – que acontece, mais ou menos, durante 9 meses - ao lento processo de evolução que aconteceu com a espécie humana durante bilhões de anos. A filogenia recapitula a ontogenia, ou seja, a evolução da vida intra-uterina repete em alguns meses o que ocorreu ao longo da evolução do Ser humano sobre a face da Terra. Desse modo, não é difícil compreender que a criação é uma obra complexa. Não é um simples passe de mágica, como poderíamos imaginar, em que um boneco de barro, de repente, se transforma num Ser humano. Ela é fruto de uma elaboração extremamente complexa e demorada que vai buscando formas cada vez mais perfeitas ao longo do tempo. Antes de o homem Ser homem - isto é, antes de adquirirmos a forma e as potencialidades humanas que temos atualmente - viemos caminhando pelas estradas tortuosas do tempo, passando por múltiplas formas de vida, desenvolvendo o corpo e o Espírito, até podermos alcançar a condição de seres inteligentes que somos hoje. Os vegetais e os animais igualmente vieram evoluindo, assumindo as mais variadas formas, mas apenas uma espécie – que hoje é a espécie humana – conseguiu ultrapassar os limites da irracionalidade, alcançando a condição de Ser inteligente, conforme podemos ler em O LIVRO DOS ESPÍRITOS de Allan Kardec.